quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A análise segmentada por sexo e idade mostra que os homens estão mais endividados que as mulheres

Homens e mais jovens


A análise segmentada por sexo e idade mostra que os homens estão mais endividados que as mulheres --42% e 34%, respectivamente. Na divisão por faixa etária, 38% dos consumidores entre 18 e 34 anos têm dívidas, e 37% daqueles que têm mais de 35 anos.
Entre os inadimplentes, 10% acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente as suas dívidas, em uma queda de 2 pontos percentuais ante o mês anterior. Segundo a Fecomercio-SP, a melhora da expectativa para o pagamento de contas em atraso ocorre pelo aumento do salário mínimo em fevereiro e pela expansão da oferta de crédito.
"Apesar de todo o anúncio de restrição de crédito, o que se observa, na prática, é que apesar das taxas de juros mais elevadas, as instituições financeiras ainda estão propensas a negociar dívidas e continuar oferecendo linhas de crédito para pessoas físicas", afirmou Sjazman.
Cartão de crédito
O cartão de crédito se mantém como o principal tipo de dívida, atingindo 46% dos consumidores, seguido por carnês (28%), crédito pessoal (8%), cheque especial (4%), cheque pré-datado (2%), crédito consignado (2%) e outros tipos de dívidas (10%).
Quanto às despesas que mais afetam as dívidas atuais, 32% dos consumidores apontam os gastos com alimentação, enquanto 22% indicam os gastos com eletrodomésticos e eletroeletrônicos e 22%, as despesas com vestuário.
Em fevereiro, 35% dos entrevistados tentaram renegociar suas dívidas com os credores contra 41% em janeiro. Entre as dificuldades encontradas estão: taxa de juro elevada (55%), falta de recursos financeiros (27%), prazos de pagamento curtos (13%) e credor não admite renegociação (3%).
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Crise assusta

Crise assusta e endividamento do paulistano é o menor em cinco anos, diz Fecomercio

O nível de endividamento do paulistano caiu 7 pontos percentuais em fevereiro e atingiu o menor patamar desde o início da pesquisa em fevereiro de 2004, informou a Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). De acordo com a entidade, os consumidores estão mais cautelosos em razão das incertezas sobre os efeitos da crise financeira mundial.
O percentual de famílias endividadas em fevereiro ficou em 38% em fevereiro, ante 45% em janeiro. Na comparação com igual período de 2008, quando o indicador atingiu 48%, houve recuo de 10 pontos percentuais.

10 questões para entender o tremor na economiaEntenda como a crise financeira global afeta o Brasil
Do total de famílias paulistanas, 12% estão com contas em atraso, o que representa uma diminuição de 2 pontos ante o mês anterior. Sobre igual período de 2008, o indicador apontou queda de 3 pontos percentuais.
"A redução no nível de endividamento observada em fevereiro é influenciada pela incerteza em relação à magnitude dos reais impactos da crise financeira internacional sobre a economia brasileira, o que faz com que os consumidores se comportem de forma cautelosa, seja ao adquirir novas dívidas ou mesmo buscando quitar as existentes", avalia Abram Sjazman, presidente da Fecomercio.
De acordo com a pesquisa, entre os consumidores com rendimento de até três salários mínimos, 28% têm algum tipo de dívida. Na faixa de renda de quatro até dez salários, 32% estão endividados, e na faixa de mais de dez salários, 48%.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Mesmo com crise, consumidor continuou comprando eletrodoméstico

SÃO PAULO - Devido à crise, o crédito ao consumidor direto ficou mais retraído. Especialistas andam dizendo que eles estão mais conservadores na hora de gastar, mas quando se trata de eletrodomésticos, o consumidor continuou comprando em janeiro, afirma Lourival Kiçula, presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrodomésticos). Embora o setor tenha tido uma queda recorde na produção e nas vendas em dezembro, quando registrou índice negativo de 17,5%, as promoções e liquidações fizeram o consumidor abrir a carteira e mantiveram os estoques na indústria de eletrodomésticos "regulares", de acordo com a Agência Brasil.No entanto, Kiçula ressalta que, para incrementar as vendas, é necessária uma redução maior na taxa de juros, pois isso estimula as compras no crediário. Otimismo para 2009Com sinais de recuperação, empresários do setor esperam crescer até 4% este ano. Mais reticente, Kiçula prefere aguardar os resultados de janeiro para traçar um diagnóstico mais preciso, mas, segundo ele, "tudo indica que teremos em janeiro um número de vendas muito parecido com o mesmo mês do ano passado no setor".Em 2008, o crescimento da indústria de eletrodomésticos contou com um crescimento entre 4% e 7%, ainda não confirmado. O presidente da Eletros afirma que a indústria não teme a crise. "Queremos sair dela trabalhando e fazendo uma força danada para não desempregar", atesta.

Lei de Consórcios entra em vigor...

06/02/2009 - 08h00
Lei de Consórcios entra em vigor e permite grupos para aquisição de serviços

SÃO PAULO - Entra em vigor, nesta sexta-feira (06), a nova Lei de Consórcios, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro do ano passado.Entre as principais mudanças, destaca-se o fato de que, a partir de agora, é permitido constituir grupos de consórcios para aquisição de serviços, e não mais apenas de bens móveis e imóveis. Assim, por meio desse instrumento financeiro, será possível adquirir próteses dentárias, cirurgias plásticas, pacotes de informática, acesso a cursos de pós-graduação no exterior, viagens, entre outros serviços.Além disso, a nova lei permite que clientes contemplados usem a carta de crédito para quitar financiamentos nos bancos. Para o presidente da Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio), Rodolfo Montosa, essa é uma decisão muito benéfica aos consumidores, já que permite que mutuários transfiram o financiamento de imóvel para o consórcio. O mesmo processo pode ser adotado por quem financiou um veículo a custos muito elevados, fazendo com que o consumidor deixe de pagar os altos juros, principalmente porque no Sistema de Consórcios eles inexistem.AlteraçõesCom a nova lei, o termo consórcio passa a ser definido como uma reunião de pessoas físicas ou jurídicas em grupo, com prazo de duração e número de cotas previamente determinados, promovida por uma administradora de consórcio, com o objetivo de facilitar aos integrantes, em igualdade de condições, a aquisição de bens ou serviços por meio de autofinanciamento.A partir de agora, o grupo de consórcio será representado por sua administradora e os consorciados deverão escolher, em assembleia geral, três participantes que os representarão diante dessa administradora.Além disso, o interesse do grupo de consórcio prevalece sobre o interesse individual do consorciado. O grupo de consórcio é autônomo em relação aos demais e possui patrimônio próprio, que não se confunde com o de outro grupo nem com o da própria administradora.Para Montosa, esta lei é uma conquista do Sistema de Consórcios, conferindo melhor estabilidade jurídica à atividade, ainda mais relevante diante das atuais circunstâncias mundiais de restrição ao crédito. "O Brasil busca uma sociedade não somente baseada em crédito e endividamento das pessoas, mas na disciplina do planejamento e poupança programada para a aquisição de bens e formação de patrimônio".ConsórciosO Sistema de Consórcios fechou 2008 com R$ 60 bilhões em ativos administrados. Ainda no ano passado, movimentou recursos financeiros na ordem de R$ 20 bilhões. Foram comercializadas 1,78 milhão novas cotas e contemplados 820 mil consorciados. Em dezembro, havia 3,63 milhões de participantes.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

10 questões para entender o tremor na economia!

GUSTAVO PATUda Folha de S.Paulo
O que era uma onda de calotes no mercado imobiliário dos Estados Unidos se transformou em uma crise nos mercados de ações, de crédito e de câmbio do planeta --e os efeitos já começam a chegar ao comércio, aos empregos e ao cotidiano de todos. As próximas páginas procuram trazer à linguagem comum as origens da crise, a dinâmica do mundo financeiro e os desafios a serem enfrentados pelo Brasil.
1 - Como um momento de euforia econômica se transforma em pânico financeiro?
Crises especulativas como a atual --documentadas desde o século 17, com dimensões variadas-- são sempre gestadas em momentos de juros baixos e crédito farto, mais comuns em fases de prosperidade. E a economia mundial vivia o melhor momento desde a década de 70.
O acesso mais fácil ao dinheiro reduz a noção geral de risco. Tanto profissionais do mercado quanto cidadãos comuns se tornam mais propensos a investimentos ousados, em busca de lucros mais altos e rápidos.
Nesse cenário, surgem as 'bolhas': um tipo de investimento -sejam ações, moedas, imóveis, empréstimos ou, em tempos mais remotos, canais, ferrovias e até tulipas- se torna uma mania e se valoriza muito além das reais possibilidades de retorno. Cria-se um círculo vicioso: quanto mais gente entra no mercado, mais ele se valoriza; quanto mais se valoriza, mais gente entra.
No caso atual, a bolha foi criada no mercado imobiliário americano, antes de se disseminar por outros mercados e países. Casas e apartamentos com preços em alta serviam de garantia para financiamentos imobiliários que ajudavam a elevar os preços. A espiral culminou em financiamentos de altíssimo risco para clientes sem capacidade de pagamento.
Os participantes do mercado sabem que a festa não vai durar para sempre. Paradoxalmente, isso estimula a corrida à especulação: os investidores querem aproveitar a oportunidade antes do estouro da bolha.
Como se sabe que a situação é insustentável, o primeiro sinal --quebra de banco, disparada de uma moeda, moratória-- causa pânico geral, e todos querem fugir ao mesmo tempo e multiplicam as perdas. Decisões individuais racionais, portanto, podem levar a comportamentos coletivos irracionais.
2 -
Se as autoridades culpam os especuladores, por que a especulação não é coibida?
Os especuladores, tratados no coletivo e no anonimato, são bodes expiatórios convenientes quando as crises explodem. Evoca-se a antipatia dedicada aos gananciosos que desejam enriquecer sem produzir, deixando em segundo plano os questionamentos à política econômica ou à atuação dos órgãos reguladores.
Propostas para restringir a especulação são antigas e periodicamente lembradas. A mais famosa, do economista americano James Tobin, é a de criar um imposto sobre todas as transações financeiras, uma espécie de CPMF global, para tornar mais lentos e mais caros os movimentos do mercado. Nas palavras de seu idealizador, jogar 'um pouco de areia' nas engrenagens do sistema.
Passadas as crises, no entanto, as ameaças e limites impostos aos especuladores são esquecidos ou contornados. Em parte porque o setor financeiro é influente no mundo das idéias e da política, mas, principalmente, porque a especulação é um dos motores da economia de mercado.
Os especuladores --aqueles unicamente interessados em comprar e vender com lucro- viabilizam e expandem os mercados de ações, de moedas e de títulos. Se não fosse a especulação, só compraria ações, por exemplo, uma meia dúzia de fato interessada em se tornar sócia de uma empresa.
A riqueza financeira se distancia cada vez mais dos valores que enxergamos diariamente. Em 1980, o volume de dinheiro aplicado no mercado financeiro era 20% superior à riqueza produzida no mundo. Em 2006, mais de 200%.
O Produto Interno Bruto global, no período, quase quintuplicou, de US$ 10 trilhões para US$ 48 trilhões. Mais espantoso foi o salto do volume de dinheiro aplicado nos bancos, em títulos e ações, que foi de US$ 12 trilhões para US$ 167 trilhões. Mais dinheiro no mercado significa mais possibilidades de investimento e crescimento -e mais riscos também.

3 - Por que os bancos quebram? Por que são socorridos?
Uma pessoa ou uma empresa quebrada é a que não consegue pagar suas dívidas. Um banco quebrado é o que emprestou dinheiro a quem não conseguiu pagar as dívidas, como mutuários do subprime americano.
O papel do sistema financeiro é intermediar o encontro entre os que desejam poupar e os que desejam investir. Sua tarefa é selecionar pessoas e empresas mais aptas a progredir e a conseguir pagar com juros o dinheiro recebido. Os menos aptos pagam juros maiores para compensar o risco.
Nos financiamentos imobiliários tradicionais, o banco empresta recursos da poupança. Para os mutuários sem emprego, sem documentos e sem garantias dos EUA, a operação foi muito mais sofisticada.
Os empréstimos serviram de base para títulos que proporcionavam a seus compradores os superjuros cobrados nos financiamentos imobiliários. De pequeno valor unitário e livremente negociáveis, títulos permitem que os credores se tornem múltiplos e anônimos.
Os títulos, por sua vez, serviram de base para derivativos, ou seja, contratos em que as partes perdem ou ganham a partir da variação de um ativo financeiro, muito semelhante a uma aposta num cassino.
A sofisticação não removeu o obstáculo mais prosaico e previsível: os pobres-coitados que habitam a economia real não puderam mais pagar as dívidas.
Administradores de poupança pública, os bancos podem provocar perdas generalizadas ao quebrar. E, quanto maior o erro, maior a chance de socorro por governos que querem evitar ou atenuar uma onda de falências e desemprego.

Produção industrial cai 12,4% em dezembro; no ano, alta é de 3,1%, diz IBGE

A crise intensificou a retração da indústria, cuja produção caiu pelo terceiro mês consecutivo. Em dezembro, a desaceleração foi de 12,4% frente ao mês anterior, informou nesta terça-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi o pior resultado da série histórica, iniciada em 1991. Em novembro, a queda havia sido de 5,2%.
Em relação a novembro do ano passado, foi verificada queda de 14,5%, segundo número negativo consecutivo nesta base de comparação. O resultado também foi o pior da história, nessa relação.
Os bons resultados verificados antes do agravamento da crise garantiram um crescimento de 3,1% para a indústria em 2008, em relação ao ano anterior. De janeiro a setembro, a alta acumulada chegara a 6,4%.
No acumulado do último trimestre do ano (outubro a dezembro), a produção recuou 9,4% sobre os três meses imediatamente anterior. Em relação ao quatro trimestre de 2007, a produção caiu 6,2%.
A Pesquisa Industrial Mensal demonstra que houve recuo na produção em 25 dos 27 ramos pesquisados em dezembro, na comparação com o mês anterior. A principal influência veio da indústria automobilística, cuja produção caiu 39,7%. Também apresentaram queda os setores de máquinas e equipamentos (-19,2%), material eletrônico e equipamento de comunicações (-48,8%). Apresentaram alta apenas os setores de outros equipamentos de transporte (6,7%) e celulose e papel (0,4%).
A queda na produção de veículos foi a maior da série histórica nas duas comparações (mês e ano). "O resultado de dezembro mostra uma piora em relação a novembro, refletindo o agravamento da crise internacional, que afeta especialmente setores de bens duráveis, sensíveis à redução de crédito, e os bens intermediários por conta da exportação de commodities", diz Isabela Nunes, gerente da pesquisa.
Entre as categorias de uso, os bens de consumo duráveis registraram queda de 34,3%. A produção de bens de capital despencou 22,2%. Bens intermediários (-12,1%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-4,2%) acompanharam a tendência negativa da indústria.
Na comparação com dezembro do ano passado, houve redução da produção em 23 das 27 atividades analisadas. A produção automobilística registrou queda de 59,1% nessa base comparativa. Também recuaram as produções de material eletrônico e equipamentos de comunicações (-60,3%) e borracha e plástico (-31,1%).
Ainda na relação com dezembro do ano passado, a produção de bens duráveis despencou 42,2%. Também caíram as produções de bens intermediários (-18,2%), bens de capital (-13,1%) e semi e não duráveis (-1,8%).
Pelo índice de difusão, o IBGE verificou que 70% dos 755 produtos investigados apresentaram queda em dezembro.
Em novembro, a indústria já apresentava sinais de queda de produção. No início de janeiro, o IBGE informou que em todas as 14 regiões em que a pesquisa de produção é feita houve queda de atividade.
No último dia 13, a FGV (Fundação Getulio Vargas) informou que a produção industrial no Estado de São Paulo deve apresentar em dezembro uma queda de 13,5% na atividade em relação a novembro, mês em que a queda foi de 3,2%, segundo o SPI (Sinalizador da Produção Industrial).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Desemprego mundial pode chegar aos 51 milhões em 2009

As previsões sobre o número de desempregados que a Organização Internacional do Trabalho divulgou esta quarta-feira são "preocupantes" e mostram que é preciso agir para combater o desemprego, disse à Lusa Arménio Carlos da Comissão Executiva da CGTP.
A OIT divulgou um relatório em que diz que a crise económica mundial poderá fazer aumentar o desemprego até 51 milhões de pessoas em todo o mundo "se a situação continuar a deteriorar-se", para um total 230 milhões.
A taxa de desemprego mundial deve subir para os 7,1 por cento, no pior cenário, valor que na União Europeia e nas economias avançadas se pode agravar para os 7,9 por cento, segundo a OIT.
Arménio Carlos considera que estes números "são preocupantes e constatam um problema que decorre da crise capitalista" em que o mundo está mergulhado.
Lembrando que "não basta constatar", o responsável da GGTP argumentou que perante o problema do desemprego "é preciso agir".
São necessárias "mudanças políticas" que resolvam os problemas estruturais das economias (o do investimento no sector produtivo, no caso português), segundo Arménio Carlos, e "medidas urgentes" para combater os baixos salários e o trabalho precário.
O sindicalista afirmou ainda que o problema nas economias mundiais e na portuguesa "não é na legislação laboral", pelo que "se justifica a retirada da proposta de revisão laboral" tanto do sector público como privado, já que ela vem fragilizar ainda mais a relação laboral do lado do trabalhador.